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O que significa ser uma pessoa assertiva?

Imagine que você está dirigindo um carro.

Para chegar ao destino, não basta acelerar. Também é necessário diminuir a velocidade, observar os sinais e respeitar os limites da estrada. Além disso, algumas situações exigem que você corrija a direção.

Quem solta completamente o volante permite que o caminho decida o destino. Por outro lado, quem dirige de maneira agressiva coloca a si e aos outros em risco.

A assertividade se parece com esse volante.

Ser uma pessoa assertiva significa assumir a direção da própria vida sem atropelar ninguém pelo caminho. Portanto, envolve expressar pensamentos, sentimentos, necessidades e limites com clareza, firmeza e respeito.

À primeira vista, parece simples. No entanto, nem sempre é.

Muitas pessoas aprenderam que precisam se calar para preservar uma relação. Outras, por sua vez, descobriram que somente conseguem atenção quando aumentam o tom de voz. Entre o silêncio que sufoca e a agressividade que fere, existe uma terceira possibilidade: a comunicação assertiva.

O que é assertividade?

Assertividade é a capacidade de se posicionar de maneira clara e respeitosa. Dessa forma, a pessoa considera tanto os próprios direitos quanto os direitos dos outros.

Uma pessoa assertiva consegue dizer o que pensa sem transformar sua opinião em verdade absoluta. Também pode discordar sem humilhar, recusar um pedido sem inventar desculpas e estabelecer limites sem fazer ameaças.

No entanto, isso não significa falar tudo o que vem à mente.

A sinceridade sem responsabilidade pode se transformar em crueldade. Por isso, a frase “eu apenas disse a verdade” não justifica qualquer maneira de falar.

A assertividade não envolve apenas o conteúdo da mensagem. Pelo contrário, ela também considera o tom, o momento e a intenção de quem se comunica.

Assim, ser assertivo envolve uma pergunta importante: “Como posso dizer o que preciso sem me abandonar e sem desrespeitar o outro?”.

Qual é a diferença entre passividade, agressividade e assertividade?

Podemos compreender essas três formas de comunicação por meio da imagem do carro.

Primeiramente, na comunicação passiva, a pessoa entrega o volante. Ela permite que os outros decidam o caminho, mesmo quando não deseja seguir naquela direção. Além disso, concorda para evitar conflitos, aceita situações desconfortáveis e coloca suas necessidades sempre por último.

Por outro lado, na comunicação agressiva, a pessoa segura o volante como se fosse a única na estrada. Dessa maneira, impõe sua vontade, desconsidera os limites alheios e confunde força com intimidação.

Já na comunicação assertiva, a pessoa permanece na direção, mas reconhece que não está sozinha. Ela sabe aonde deseja chegar, respeita a presença dos outros e assume a responsabilidade por suas escolhas.

De maneira resumida:

  • Passividade: “O que eu sinto não importa.”
  • Agressividade: “Somente o que eu sinto importa.”
  • Assertividade: “O que eu sinto importa, e o que você sente também.”

A pessoa passiva se abandona para preservar o relacionamento. Enquanto isso, a agressiva tenta proteger a si mesma ferindo ou controlando o outro. A pessoa assertiva, por sua vez, protege sua dignidade sem retirar a dignidade de ninguém.

Por que é tão difícil ser uma pessoa assertiva?

Nem sempre a dificuldade de se posicionar revela falta de habilidade. Muitas vezes, existe uma história por trás do silêncio.

Algumas pessoas cresceram em ambientes nos quais os adultos interpretavam qualquer discordância como desobediência. Por isso, aprenderam que ser uma “boa pessoa” significava aceitar, ajudar e não causar incômodo.

Outras descobriram cedo que o afeto poderia desaparecer quando frustravam alguém. Como consequência, tornaram-se adultas que sentem medo de dizer não, decepcionar ou estabelecer limites.

Há também quem tenha vivido relações em que toda tentativa de diálogo terminava em crítica, ironia ou silêncio punitivo. Nesses casos, falar passou a representar perigo.

A pessoa pode saber racionalmente que precisa se posicionar. No entanto, seu corpo reage como se estivesse diante de uma ameaça. O coração acelera, a voz falha, a culpa aparece e as palavras desaparecem.

Portanto, desenvolver a assertividade não consiste apenas em memorizar frases prontas. Antes de tudo, precisamos compreender quais medos surgem quando chega o momento de falar.

Ser assertivo não é deixar de sentir medo

Existe uma ideia equivocada de que pessoas assertivas demonstram segurança o tempo todo. Na realidade, elas também podem sentir medo de desagradar.

Uma pessoa pode colocar um limite com a voz trêmula. Do mesmo modo, pode dizer não e depois sentir culpa. Em outros momentos, poderá comunicar uma decisão importante enquanto enfrenta dúvidas e desconforto.

A assertividade não representa ausência de medo. Pelo contrário, representa a decisão de não permitir que o medo conduza todas as escolhas.

Quando alguém começa a se posicionar depois de muitos anos de anulação, pode sentir que está agindo com egoísmo. No entanto, essa sensação não comprova que a pessoa esteja agindo mal.

Às vezes, a culpa apenas revela o quanto o autoabandono se tornou habitual. Afinal, quem sempre entregou o volante pode estranhar quando começa a dirigir a própria vida.

Como uma pessoa assertiva se comporta?

A assertividade aparece em situações comuns do cotidiano.

Por exemplo, uma pessoa assertiva consegue dizer:

“Hoje não posso assumir esse compromisso.”

“Não me sinto confortável com a maneira como você falou comigo.”

“Eu compreendo sua opinião, mas penso de forma diferente.”

“Preciso de um tempo para refletir antes de responder.”

“Posso ajudar desta vez, mas não conseguirei fazer isso sempre.”

“Cometi um erro e assumo minha responsabilidade.”

Observe que nenhuma dessas frases exige agressividade. Elas apresentam firmeza sem provocar ofensa.

Além disso, uma pessoa assertiva não precisa elaborar uma longa justificativa para cada decisão. Ela pode explicar suas razões, mas não transforma a própria vida em um tribunal. Portanto, não precisa convencer todos de que possui o direito de escolher.

Da mesma forma, entende que o outro pode não gostar do limite apresentado. Por isso, essa talvez seja uma das partes mais difíceis da assertividade.

Mesmo quando nos comunicamos com respeito, não controlamos a reação da outra pessoa.

Assertividade não é controle

Existe uma diferença importante entre expressar uma necessidade e exigir que o outro obedeça.

Podemos dizer:

“Quando você interrompe minha fala, eu me sinto desconsiderada. Gostaria de terminar antes de você responder.”

Essa frase comunica a situação, apresenta um sentimento e faz um pedido claro. Portanto, representa uma forma de comunicação assertiva.

Seria diferente dizer:

“Você está proibido de discordar de mim e terá de ouvir tudo em silêncio.”

Nesse caso, a primeira frase estabelece uma condição para o diálogo. Já a segunda procura controlar o comportamento do outro.

A assertividade permite comunicar aquilo que queremos. No entanto, ela não nos concede poder sobre a decisão alheia. O outro pode ouvir, recusar, negociar ou mostrar que não pretende respeitar o limite.

Nesse momento, cada pessoa precisa decidir o que fará diante da resposta recebida.

Portanto, limite não é uma ferramenta para controlar alguém. Pelo contrário, ele define aquilo que você aceita e como cuidará de si caso determinada situação continue.

A importância de aprender a dizer “não”

Dizer “não” é uma das expressões mais conhecidas da assertividade. Ao mesmo tempo, também é uma das mais difíceis.

Muitas pessoas dizem “sim” quando gostariam de recusar. Depois, realizam a tarefa com irritação, sentem-se usadas ou se afastam sem explicar o motivo.

Entretanto, o outro nem sempre sabe que a pessoa ofereceu aquele “sim” contra a própria vontade.

Quando dizemos “sim” apenas por medo, podemos criar relações baseadas em uma versão sempre disponível de nós mesmos. Com o tempo, esperamos que as pessoas percebam um limite que nunca comunicamos.

Por isso, um “não” respeitoso pode ser mais honesto do que um “sim” carregado de ressentimento.

No entanto, isso não significa recusar tudo ou pensar apenas nas próprias necessidades. Viver em sociedade exige colaboração, flexibilidade e concessões.

A questão consiste em perceber quando ajudar representa uma escolha. Por outro lado, precisamos reconhecer quando essa ajuda se tornou uma obrigação sustentada pelo medo de perder afeto ou aprovação.

Como se comunicar de maneira mais assertiva?

A comunicação assertiva pode se desenvolver por meio da prática. Para isso, algumas atitudes ajudam nesse processo.

Fale sobre o comportamento, não sobre o caráter

Em vez de dizer “você é uma pessoa egoísta”, tente identificar a situação concreta:

“Quando as decisões acontecem sem que você consulte minha opinião, sinto que não participo das escolhas.”

Nesse caso, a primeira frase ataca a identidade da pessoa. A segunda, por sua vez, abre espaço para conversar sobre um comportamento específico.

Use frases na primeira pessoa

Dizer “eu penso”, “eu sinto” e “eu preciso” demonstra responsabilidade pela própria experiência.

Isso não significa assumir culpa por tudo. Pelo contrário, significa comunicar-se sem apresentar interpretações pessoais como fatos incontestáveis.

Seja claro

Mensagens indiretas costumam gerar frustração. Portanto, se você precisa de ajuda, peça ajuda. Quando algo incomodar, diga o que aconteceu.

Esperar que o outro adivinhe suas necessidades pode aumentar a sensação de abandono e incompreensão.

Escolha o momento

Nem toda verdade precisa surgir imediatamente.

Quando as emoções estão muito intensas, uma pausa pode evitar que a conversa se transforme em ataque. No entanto, adiar para se organizar é diferente de fugir indefinidamente do assunto.

Aceite que nem todo conflito poderá desaparecer

A assertividade não produz harmonia permanente. Em alguns momentos, ela revela conflitos que já existiam, mas permaneciam escondidos pelo silêncio.

Afinal, uma relação saudável não é aquela em que nunca ocorre discordância. É aquela em que as pessoas comunicam suas diferenças sem medo, humilhação ou violência.

O que acontece quando começamos a ser mais assertivos?

Quando alguém muda sua forma de se posicionar, as relações também podem mudar.

Pessoas acostumadas com sua disponibilidade talvez estranhem seus limites. Como resultado, algumas poderão dizer que você está diferente, fria ou egoísta. Entretanto, nem toda crítica significa que você esteja errada.

Por isso, precisamos avaliar a situação com honestidade.

Talvez o tom utilizado realmente tenha sido duro e precise de revisão. Por outro lado, existe a possibilidade de o outro apenas sentir desconforto porque perdeu o acesso irrestrito ao seu tempo, à sua energia e às suas escolhas.

Dessa forma, desenvolver assertividade exige duas capacidades. A primeira consiste em escutar críticas verdadeiras. A segunda envolve reconhecer tentativas de manipulação.

Nem toda culpa pertence a você. Além disso, nem toda acusação precisa receber sua aceitação. Da mesma maneira, nem todo desconforto exige eliminação imediata.

Algumas relações amadurecem quando os limites aparecem. Outras, entretanto, revelam que funcionavam apenas enquanto uma das pessoas permanecia calada.

A assertividade também exige saber ouvir

Ser assertivo não envolve apenas falar. Além disso, precisamos permanecer presentes quando o outro também se posiciona.

Não existe coerência em exigir respeito pela própria opinião e ridicularizar a opinião alheia. Da mesma maneira, não podemos pedir espaço para falar e impedir qualquer resposta.

Entretanto, ouvir não significa concordar.

Podemos compreender o sentimento de alguém sem aceitar sua interpretação. Também podemos reconhecer que uma decisão causou frustração sem voltar atrás apenas para aliviar o desconforto.

Portanto, a maturidade emocional aparece quando conseguimos sustentar duas verdades ao mesmo tempo. Eu tenho o direito de fazer uma escolha, enquanto a outra pessoa possui o direito de sentir algo sobre ela.

É possível aprender a ser assertivo?

Sim. A assertividade não representa um traço reservado a pessoas naturalmente fortes ou extrovertidas. Pelo contrário, qualquer pessoa pode desenvolver essa habilidade.

Primeiramente, observe em quais situações você costuma entregar o volante.

Com quem você tem medo de discordar? Em quais relações sente que precisa medir cada palavra? Quando aceita algo e se arrepende depois? Além disso, o que imagina que acontecerá se disser não?

Essas perguntas ajudam a identificar comportamentos e crenças emocionais.

A psicoterapia também pode contribuir para esse processo. Por meio dela, a pessoa poderá compreender a origem dos próprios medos, reconhecer padrões relacionais e experimentar formas mais saudáveis de comunicação.

Não se trata de transformar alguém em uma pessoa fria ou indiferente. Em vez disso, o objetivo é construir relações nas quais o afeto não dependa do desaparecimento de uma das partes.

Assumir o volante da própria vida

Ser uma pessoa assertiva não significa ter certeza sobre tudo. Da mesma forma, não significa nunca voltar atrás, nunca se emocionar ou sempre encontrar as palavras perfeitas.

Acima de tudo, significa desenvolver uma relação mais honesta consigo e com os outros.

É saber que você pode respeitar alguém sem obedecer a todas as suas expectativas. Também pode amar sem permitir tudo e ajudar sem assumir responsabilidades que não são suas. Além disso, mudar de opinião não retira sua dignidade.

Na estrada da vida, haverá curvas, desvios e momentos em que você precisará recalcular o caminho. Ainda assim, existe uma diferença profunda entre ajustar a direção por escolha e entregar o volante por medo.

Assertividade significa permanecer na direção.

Não para controlar todos os acontecimentos, mas para não desaparecer de si mesma enquanto tenta chegar ao destino.


Autoria: Psicóloga Norika Jo — CRP 06/125490  Psicólogo Irineu Jo — CRP 06/125488

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Este conteúdo possui finalidade informativa e educativa. Portanto, não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.

 

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